ANGUSTIANTE


Meus valores, meu amor, o Sul e ele - Parte I

 

Acredito que eu já tenha falado dele por aqui, ou, de algum diálogo que tivemos.

Eu o conheci de forma despretensiosa, trabalhando em um dia de chuva. Eu brincava com os funcionários do órgão público que freqüento diariamente, lugar que eu mesmo já trabalhei antes de me formar e por isso a intimidade.

Ele estava lá intrometido como somente ele sabe ser, fazendo contendas em minha conversa com os funcionários. Logo mais saberia que ele tinha a intenção de me conhecer e que já estava me observando havia dias.

Após vários encontros casuais ele me chamou para tomar uma cerveja, convite que sempre recebo de meus amigos então aceitei prontamente. Sabe aquele convite: “cara vamos beber uma depois?”, pois foi desta forma gentil e sem comprometimento que ele acabava de entrar em minha vida.

Ele pediu meu telefone e disse que teria uma festa no final de semana e que ia ter um monte de gente que eu conhecia inclusive o pessoal do órgão público. Juro que não pensei em segundas intenções, até mesmo porque ele parecia fora das minhas perspectivas. Só que ele ligou no mesmo final de semana me chamando para beber antes de ir pra festa e eu fui.

Conversamos por horas e ele disse que já havia me visto e sabia o escritório em que eu trabalhava e que era bem perto do dele. Reclamou que eu não retribuía aos seus cumprimentos. Eu pedi desculpas disse e que nunca havia reparado, pois, a minha cabeça pensa um monte de coisa ao mesmo tempo e eu estava sempre distraído... “eu penso em seus beijos, versos e sexo”, como diria Paula Toller. 

Quando perguntei pela hora e a festa que iríamos ele disse que o papo estava bom se eu não me importava de continuar. Foi nesta hora que coisa mudou de figura e me alertei para o que poderia acontecer e cedi. Rimos, bebemos e falamos de nossas vidas. Ele sempre muito afinado para piadas e um sarcasmo que o deixava bem mais sexy.

Marcamos outra saída no dia seguinte. Mesmo bar e no meio da conversa falávamos de um filme ridículo que estava no cinema e do nada ele pede a conta. Perguntei o motivo e ele disse: quero ir ao cinema. Eu: agora? Você ta bêbado? Ele: estou, mas, não vem ao caso. E fomos.

No cinema não me deixou comprar duas pipocas sob o pretexto de que havíamos bebido e comido e iríamos desperdiçar. Eu não acreditava que estava lá, com ele, 21:30 para ver um filme ridículo, bêbado. Ele ria. Eu pedia pipoca ele negava, foi quando levantei para comprar e ele sério me disse: agente come junto. Eu: mas você não me deixa. Ele: mas você não sabe pedir? Eu: mais? Ele: do jeito certo. Eu: por favor. Ele: então abre a boca, não quero sua mão suja no meu saco de pipoca. Eu: você está de zombaria? E ele permaneceu sério, calado e me olhando fixamente levou pipoca até minha boca. Ali mesmo na última sessão ganhei o primeiro beijo.

No cinema comecei a me apaixonar por aquele menino espirituoso, romântico, aventureiro e engraçado.  Com muito cuidado deixei rolar outros beijos, nos conhecemos mais em outros encontros e nos entregamos.

Eu que não queria sofrer com medo de me relacionar não admiti até poucos meses atrás um relacionamento. Ele foi embora para estudar, fazer MBA e eu fiquei aqui, encontrando ele esporadicamente, mas sem compromisso (eu não queria). Deixei-o ir. Ele voltou me propôs compromisso, choramos, fizemos amor e pedimos desculpas e eu aceitei.

Planejei meu futuro no Sul de forma que caberia ele. Ele não aceitou, ficou histérico e foi embora. Sem ressentimentos, mas, foi embora. Isto fica pra outros textos. Por hora é isto. Ele foi embora.

 



Escrito por NYNO às 01:13
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AVENTURAS DO CORAÇÃO – POSTADO POR VINÍCIUS

 

Depois de entender o que desde o começo era nítido, meu coração mais uma vez tenta se recuperar...

No nosso primeiro encontro, entre as primeiras palavras proferidas daqueles lindos lábios rodeados por um cavanhaque que eu ainda sinto a roçar no meu pescoço, ouvi com clareza o que meu coração por motivo desconhecido não quis guardar: não quero relacionamento sério, vivo e quero só o acaso.

Envolvido pelo cheiro, a libido e um charme inexplicável me deixei levar, e fui até onde ele me levou e inexplicavelmente ainda estou em meio a um edredom já velhinho, azul de flores miúdas vermelhas, rosas e azul bebê, acariciando o cabelo molhado preto que levemente se apoiava em meu peito.

Sinto os braços fortes hora me pressionando contra a parede, hora me carregando da cozinha para o quarto. O suor que deliciosamente me molhava e deixava o sexo ainda mais gostoso. Sem pudores posso descrever com riqueza de detalhes o momento mágico feito sem “frescuras”. Apenas meu amado milimetricamente desenhado por anjos em êxtase.

O que mais me dói não é saber que tal sensação nunca mais será sentida por mim, afinal, somos seres que vivem a todo o momento sentido e experimentando sensações. Talvez a palavra, o nome que expresse bem o que sinto agora é “vontade”. Vontade dele, de nós do nosso sexo, do cheiro, dos edredons...

Hoje ainda mantemos um contato: dolorido de minha parte e simplesmente natural de mera formalidade da parte dele. Às vezes o telefone toca, chega uma mensagem, que me trás a mesma vontade da primeira vez. Lembranças... Fazer o que né? COISAS DO CORAÇÃO.

 

* Texto do Vinícius, meu primo amado. Feliz aniversário primo!

 



Escrito por NYNO às 22:57
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TODOS OS CICLOS

 

Não é de hoje que eu venho dizendo que todas as experiências que eu tenho são cíclicas. A sensação é que tudo o que acontece em minha vida e, no mundo ao meu redor, se repete, exaustivamente, porém, de forma mais intensa e com personagens diferentes.

Quando entendi que sou gay passei por todas as fases que acredito que um garoto gay deva ter passado.

Houve a rejeição em acreditar que eu era diferente juntamente com o medo do desconhecido, sem falar no medo de não ser mais o modelo que os outros quisessem que eu fosse. Perdi noites de sono preocupado com a simples idéia de como seria a vozaria em turba na minha família ao saber que o bom garoto arruinou com as suas expectativas de homem, filho, cristão e marido.

Ao criar o blog, há cinco anos, eu buscava alento em pessoas que passavam pelo mesmo dilema, pela mesmíssima angustia (daí o nome do blog). Eu li e ouvi de muitos leitores seus depoimentos e acredito que tenha cumprido com o propósito do blog de conhecer pessoas e me conhecer melhor.

Entretanto, existem pessoas muito especiais e uma delas me disse que apesar de estarmos em “tempos” diferentes ele queria me dizer que tudo iria passar e eu ia ser confiante, entender que não poderia mudar e tentaria viver um dia de cada vez.

O leitor foi generoso em detalhes. Ele disse que eu iria me apaixonar e acreditar em um amor eterno e depois sofrer quando este amor acabasse, disse ainda ser bem provável que eu teria uma fase “devassa” em minha vida, totalmente desacreditada no amor e confiante no sexo e que junto com isto tudo ligaria o “foda-se” para quem não me aceitasse.

Eu fiz apenas uma pergunta ao leitor: - em que fase você está agora? E ele respondeu: - naquela em que você aprende, entende e aceita que no final das contas seus problemas são somente seus e que a missão de resolvê-los ou não é somente sua. Não pense que é ruim. Chamo de maturidade.

E assim foi feito.



Escrito por NYNO às 17:51
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 Cazwell - Ice Cream Truck



Escrito por NYNO às 17:42
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BÁLSAMO

 

Um olhar decifra muita coisa, o olhar bem dado é capaz de traduzir a alma e medir todos os espaços do coração. Quando meus amigos me olham eu me sinto desnudo de qualquer artifício, sutileza ou diplomacia empregada em minha personalidade para ser bem quisto.

Os meus amigos foram meticulosamente escolhidos e por isso são tão especiais e poucos, afinal de contas eu não me mostraria assim tão fácil para qualquer pessoa.

O abraço de um amigo é um bálsamo que expõe e cura todas as feridas. Quando se está diante de um amigo não são necessárias as palavras, pois, basta o olhar.

A Geografia tem sido bastante cruel com minhas amizades. A maldita Geografia afasta o abraço, impede o olhar e atrasa o sorriso. A tecnologia é um facilitador isso eu não deve negar, mas, o plasma é insensível ao toque, a temperatura não muda.

Quando a saudade faz doer o peito eu me encontro com meus amigos. Foi o que aconteceu em outubro.

Mais uma vez lá estavam os três inseparáveis. Tudo programado com meses de antecedência: passagem, dinheiro, roteiro. Fazia tempo desde o último abraço. Fazia tempo que não me sentia tão bem.

Aos meus amigos Leo e Luis, obrigado pelo bálsamo.

 

____

PRIBERAN - bálsamo

s. m.

1. Resina líquida aromática que sai da incisão feita a várias plantas.

2. Medicamento composto de gálbano, mirra, etc.

3. Fig. Consolação, alívio.

4. Aroma, perfume.

5. Diz-se dos vinhos generosos quando velhos e excelentes.

 

 



Escrito por NYNO às 22:55
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Escrito por NYNO às 22:46
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PANO PRA MANGA

Ultimamente a masculinidade tem sido uma questão recorrente em minha vida. Eu estou sempre envolto em conversas, comentários, postagens e matérias relacionadas ao tema.

Eu sempre pensei: “eu não vou escrever sobre isso”.  Mas chega uma hora que não tem jeito e esta é a hora.

Eu recebi um comentário no blog de um leitor que se chama “Rasgador”. Sexualmente interessante o comentário dele, vejam vocês que o Leo o Luis se interessaram (rsrs). No comentário ele diz que meninos sensíveis são seus prediletos por motivos fantasiosos e muito fetiche (se eu interpretei corretamente).

Colocando minha leitura em dia visitei o blog “YAG” (recomendo sempre) e lá para minha surpresa há duas postagens que são entrevistas com outro blogueiro o quadro chama-se “Nas Garras do Gato”, pois, o nome virtual do blogueiro é “Gato de Cheshire”.

A matéria em áudio é ótima, pois, o entrevistado é badalado e dono de um blog excelente e muito bem freqüentado o “Pelo Amor da Vaca Jersey” (também recomendo). Em sua entrevista o blogueiro disse uma frase interessante: “No meu tempo ser gay era simplesmente gostar de outro homem”.

Sabem na minha época também. Agora são tantos rótulos, grupos, gestos e opiniões. Não é fácil ser gay e tentar aplicar ao relacionamento interpessoal um padrão heterossexual (que é o modelo social predominante). Nossos pais são heteros e os valores sociais (moral, costume e personalidade) são controversos e nós gays ficamos perdidos, rotulados e sem identidade.

Esta semana um vizinho apanhou de outro menino (12 anos), na mesma escola em que minha mãe leciona, pois, era gay demais, tinha trejeito demais. Depois de um pouco de pressão o vizinho disse que eles se beijaram e se acariciaram por diversas vezes e ele se apaixonou pelo coleguinha e o coleguinha com medo do que estava sentido bateu muito nele e disse para ele sumir e que “viado” tinha que morrer.    

Ontem encontro com dois amigos da época do ensino fundamental e paramos pra tomar uma cerveja e falar da nossa profissão que é a mesma. Novamente surge a questão da masculinidade e sou obrigado a ouvir de um deles: “cara o viado mesmo é o cara que dá, pois, homem come qualquer um.” Eu respondi: “tudo bem eu te aceito sem te julgar. Já que você um comedor”. Gargalhamos, mas, a questão ficou na minha cabeça.

O outro menino perguntou: “O que acontece com a humanidade?”. Eu não soube a resposta, mas acredito que somos criados, rotulados e moldados para um padrão (homem e mulher, macho e fêmea, dominador e dominado), por mais que consigamos evoluir temos dificuldade de aceitar o próximo ou aceitar novidades, bem como todo e qualquer tipo de pessoa que não se encaixe na matriz determinada. Logo rotulamos, diminuímos e tiramos daquela pessoa a condição de ser humano.

Sinto-me um animal sempre. Ontem cada risada, piada e apontar de dedos que utilizei contra outras pessoas pesaram na minha consciência. Fiquei envergonhado de mim mesmo e o gosto foi amargo. Espero que tenha sito em tempo. Vou procurar o vizinho e desmistificar o que aconteceu com ele. Espero acertar. Talvez eu acerte.



Escrito por NYNO às 15:11
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Escrito por NYNO às 15:11
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A INTERNET, O MENINO E EU!

 

De endereço novo e me recuperando de alguns contratempos com a saúde eu retorno... Gente como a sociedade conseguia viver sem estar conectada? Ta bom, eu tenho 24 anos (hum kkkk), mas não consigo lembrar do passado sem celular e internet.

Aliás, o tal “técnico” também é uma figura engraçada. O “camarada” cobra bem caro, demora horrores para resolver o problema, isto quando não deixa nada para trás e diz que você não avisou para depois cobrar novamente. Até dei retorno para alguns clientes sabe? Por puro peso na consciência.

Também teve a tristezinha (eu tentando parecer que não foi nada) no meu coração. Saibam vocês que o menino dos posts anteriores foi embora. Exatamente. Foi embora. Ele tinha propostas irrecusáveis de trabalho e principalmente de estudo e fui obrigado a fazer o tipo:

 “-Olha você tem que ir! Sua família esta se sacrificando por esta oportunidade. Vai e aproveita”.

Eu me lembrei de comentar com o Leo de que aquela história toda não parecia ser pra mim. Pois é deve ser intuição não é? Talvez o DNA africano e aquela ritualística toda.

O menino foi sem compromisso, aos prantos. Vale dizer que aos prantos foi como eu fiquei também. Ele disse que são SÓ dois anos. Mas, minha mente diz que são dois anos de pessoas novas, situações novas e toda a adaptação.

Durante dois anos o sentimento que temos de pertencer a um lugar ou a uma pessoa sofre mudanças... Como eu queria acreditar que não e tomara que seja diferente, mas a razão diz que não é.

Quando o menino voltar e se voltar e ainda formos os mesmos não tenho do que fugir a não ser do medo do amor. Então que seja!

 

 

 



Escrito por NYNO às 21:57
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Escrito por NYNO às 21:56
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