Queridos amigos leitores hoje tem post duplo. Sim muito texto para vocês lerem. Afinal de contas eu tenho débitos para serem adimplidos.
Tem sido uma alegria sem fim estes dias que tenho vivido! Os amigos cada vez mais confidentes e aos poucos vamos descobrindo uns aos outros. O interessante é que todos nós temos confidências, segredos, dúvidas e vontades contadas apenas e tão somente às pessoas que amamos, de forma intensa e porque não dizer dileta.
Tudo o que eu conto para meus amigos me é devolvido na forma de confissão, cuidado, carinho. Por este motivo sou eternamente grato. De repente fiquei tímido, não sou mais protegido pelo anonimato, mas, espero que meus relatos continuem fiéis, pois sem dúvidas as críticas agora não são apenas virtuais.
Preciso também agradecer a todos os leitores que comentam no blog, em especial meu primo Vinicius, Gui, Jader, Peter, Gato de Cheshire e João pelas palavras de carinho e por expressarem suas opiniões nos comentários. Preciso confessar que quando ninguém comenta não há motivação para continuar a escrever... Parece que ninguémlê e não temos o retorno que vem como um abraço amigo em forma de comentários.Confesso ainda, que nós blogueiros, adoremos o burburinho da turba, seja ela irritada ou feliz, polêmica ou não!
Meus valores, meu amor, o Sul e ele - Parte II e III
*É ficou gigantesco o texto, mas precisava ser assim, para eu evitar escrever sobre ele novamente... Espero que entendam!
Esta história (estória) como preferirem ainda é muito recente, confesso que ainda há certo desconforto de minha parte em falar sobre ela, mas, como o tempo é bálsamo para o coração, cada dia que passa ela se enfraquece, pois, acredito que precisa ser assim.
Durante a permanência dele em São Paulo eu descobri que de fato ele repartia apartamento com os primos, que a família dele era dos lados de lá e que também havia a presença dela, ex-namorada, no apartamento.
Descobri quando ela atendeu ao telefone assustada ao ver meu número e DDD no telefone, no momento em que ele tomava banho, pelo nome que ela me deu na linha eu sabia quem era, sabia que era amiga de infância que virou namorada e depois ex-namorada.
Na hora fui inseguro como um garoto e pensei: “pronto, estão juntos em SP, em tórrida relação amorosa, ela sabe tudo sobre ele, todos os defeitos, qualidades, gestos e cheiros. Ela, a outra, tem uma intimidade que talvez eu nunca tenha com ele e toda esta intimidade me incomoda”. “Ele não havia dito que tinham terminado? Espere ai, porque ele não disse que ela também iria para SP?”
Eu tinha duas situações, primeiro o fato de ele não aceitar ir para Porto Alegre comigo... Não se trata da mudança, mas do que há por trás da mudança, ou seja, o desejo de ter uma relação duradoura, quem sabe um dia sermos chamados de casal ou ainda família? Ele poderia me dizer que não estava preparado no momento, mas que tentaria ainda que em um futuro distante um compromisso com comprometimento. Era isto que eu estava analisando, eu aceitaria o “não” só não aceitaria como não aceitei a covardia, a insegurança e o desrespeito.
Talvez eu tenha sido duro por demais, todavia, quando se trata do meu amor eu não abro mão de oferecer o melhor e somente o melhor me bastaria... E eu não tive resposta.
Em segundo, depois, com a ex-namorada oculta (vez que ele não havia me falado que ela estava em SP) atendendo ao telefone pensei: “ele quer ficar nas sombras, na segurança de um relacionamento dito normal e aceito pela sociedade, vai casar, ter filhos e me “foder” quando tiver vontade, aos finais de semana, dando a desculpa do futebol, do jogo de truco de viagens, eu não admito ficar com o resto, me sentir o resto”.
Ele me ligou, desesperado após o banho, a dita cuja havia dito á ele que um amigo ligara, mas, que não deu muitos detalhes e ela havia porque ele nunca se importou de ela atender ao seu telefone. Pronto lá vem a tal intimidade novamente.
Ele me explicou que ela estava lá de passagem, para um curso de menor duração o pai dela havia conseguido bolsa para eles, em troca, ela ficaria no apartamento, afinal já foram namorados, mas antes disto eram amigos de infância de famílias amigas por miseráveis anos a fio.
Não adiantava, eu estava “puto” e para quem precisava se redimir as palavras dele não me pareceram verdadeiras e eu decidi naquele momento deixar a história pra lá, seguir minha vida. Quase foi possível, se não fosse pela insistência dele querendo bater ao meu portão no final de semana seguinte. Recebi a seguinte mensagem: “me atende, sai aqui fora para falar comigo que eu viajei algumas horas e vou falar com você, nem que eu tenha que pedir sua mãe para entrar e me explicar para você”.
Sai não acreditando muito, e lá estava ele andando de um lado para outro em lágrimas. Entrei no carro em silencio e ele em silêncio apenas chorando e olhando pra mim. Chegamos próximo ao parque onde costumávamos lavar a roupa suja, ele aos prantos tentou se explicar, minhas pernas tremiam, não conseguia resistir à ele e me entreguei. Depois que acabou me veio a ressaca moral, desabafei com ele e ele disse não entender meus motivos que eu havia me precipitado em não consulta-lo e que era egoísta de minha parte tentar impor planos para nós dois. Ali foi definitivamente o fim.
Terminados de um relacionamento que nunca existiu ele foi embora e eu sofrendo como nunca sofrera tentei continuar minha vida... Ele teve recaídas e tentou me ligar em meu aniversário, tentou falar comigo, mas, preferi afastá-lo.
Ano passado ele voltou à nossa cidade, me ligou de um número local que eu não reconheci e eu atendi e ele disse:
- Por favor, não desliga, eu preciso muito falar com você.
Sinceramente não reconheci a voz... Ele indagou se eu já havia o esquecido.
- Por favor, não desliga, preciso encontrar você preciso falar com você. Pelo amor de Deus não me nega isto? Você escolhe o lugar e as condições.
- Ta bom. Eu disse determinado a fulminá-lo nesta conversa.
- No nosso velho parque de sempre. Em 30 minutos.
- Obrigado. É muito importante.
Chegando lá ele desceu do carro, estava ainda mais bonito do que costumava ser e não conteve o sorriso a me ver.
- Nossa como você está bem, que saudades. E me puxou para um abraço demorado.
Não tive reações queria sair do abraço, mas não conseguia, somente o ouvia chorar e me segurar... O filho da puta me olhou chorando, aos prantos e se calou de repente, passando os dedos sobre meus lábios. Eu não resisti e as lágrimas brotavam sem dó. Afastei-me.
- Então o que aconteceu? Porque isto de querer me ver? Fiquei preocupado, mas, você me parecer muito bem.
-Estive pior, melhorei depois que passei a atender você, depois de ir ao inferno e voltar.
- Não vamos começar com esta estória novamente. Eu disse.
-Não, vamos terminá-la. Ele disse.
-Eu precisava te pedir perdão para poder continuar com minha vida assim como você continuou com a sua.
- Eu entendi o que você planejou para nós dois, o quão intenso foi e ainda, porque você está tremendo, tudo o que nós vivemos.
- Nyno eu consegui entender o momento que eu cheguei na sua vida e o estrago que eu fiz nos seus sonhos e na nossa relação. Perdoa-me por não lhe devolver a maturidade que você merecia.
- Nyno fui moleque e egoísta, mas, amor nunca faltou, eu só não soube interpretar este sentimento, cultivar e retribuí-lo a você. Perdoa-me.
-Entrei em depressão, em parafuso depois que entendi o que fiz. Não vou te prender, tenho vergonhae deixo você ir.
-Preciso contar que eu não tinha nada com a ex e preciso que você acredite, nunca menti para você, fiquei com medo dos seus ciúmes e só.
- Aliás, depois do seu “não” definitivo eu passei a escrever tudo que sentia por você, e ela leu, descobriu que era outro homem.
- Ela disse que eu falava em você dormindo e foi ela quem me incentivou a procurar você, para superar esta etapa e continuar minha vida.
- Ela disse que sempre desconfiou, mas, amava o amigo antes do homem e decidiu por me aceitar. Ela gostaria de te conhecer, mas, não vou exigir nunca isto de você!
Nesta hora eu estava em prantos, parecia que a alma estava se separando do corpo. Ele me beijou, senti no beijo ele indo embora.
- E você Nyno? Me amou?
- Sim, e confesso que ainda tenho sentimentos por você. Você muito importante, o mais importante em minha vida até hoje! Mas...
- Mas a diferença é que você consegue amar, mas não está disposto a viver uma verdade que não é sua não é?
-Sim, é isto. Eu disse.
- Olha, eu não vou te pedir nada, mas preciso dizer que se um dia, pelas minhas atitudes você perceber que eu me redime e fizer você acreditar que eu realmente mudei você me daria outra chance?
- Sim, eu daria, agora só não estou disposto a esperar. A confiança foi quebrada. Entende?
Sim, mas o seu sim me basta. Ele me abraçou, entrou no carro e foi embora. Encontrei com ele por duas vezes mais, em ambiente profissional. Ele permanece com o mesmo olhar, mas em meu coração é como se o encanto estivesse acabado. É como se eu não estivesse disposto a pagar para ver, porque ainda dói. É o que tem para hoje!
Engraçado, nesta nova fase de minha vida tenho encontrado muito apoio e amor dos amigos. Eu havia pensando por muito tempo que todas as portas se fechariam e que eu perderia meus amigos contando para eles minha “condição” sexual.
Ledo engano! Venho descobrindo o melhor dos meus amigos, ficando mais íntimo e mais próximo das verdades deles e me sentindo mais livre e mais leve. O discurso “saia do armário e dê exemplo” nunca me convenceu tão pouco serviu de motivação para que eu revelasse fatos da minha intimidade, minha vida e meus sentimentos.
Mas parecia injusto não ser o Nyno por completo, eu queria contar, rir de algumas “estórias” enfim estreitar os laços de amizade e confiança que eu sentia que estava de certa forma traindo.
Eu não espero só flores porque acredito que este momento de “libertação” também libertará de minha vida as amizades que na verdade é mero conhecimento, coleguismo. A verdade exposta revela sempre outra verdade oculta, talvez presa no coração. Decidi então retirar da minha vida todas as pessoas que não consigam conviver ou respeitar a minha intimidade. Simplesmente não sirvo a estas pessoas e a presença delas na minha vida é nociva.
Cada frase, cada gesto, comentário, olhar e abraço estão sendo avaliados. As opiniões que chegam diretamente de “não te aceito” e até mesmo aquelas veladas, reveladas como fofoca ou pior “opiniões” sobre minha vida estão sendo sopesadas. Chegou a hora deste veado louco e bipolar libertar aquelas pessoas, amigos ou colegas que possuem barreiras contra minha vida... Não sirvo para você... Boa sorte, tchau!
Não é birra, não é ser o dono da verdade. Na realidade é uma caridade, evitar que “você” hipócrita, puritano e seja obrigado a viver sentimentos e fatos que não te deixam confortável.
Tenho sido cobrado por amigos e leitores acerca do “abandono” do blog que perdura na interne ao longo dos anos. Um amigo blogueiro me cobrava a ausência da blogosfera, da falta, segundo ele, de lealdade com os meus leitores (se é que eles ainda visitam este espaço).
Fato é que muito tem acontecido como não pode deixar de ser eu venho neste processo persistente de amadurecimento e como dizemos em Minas “porvando” da vida.
Eu me formei em 2009, comecei a trabalhar e nos diversos ramos oferecidos para a minha profissão exerço o ramo mais desafiante, por assim dizer.
As angustias que deram nome ao blog não são mais as mesmas, ainda que vez ou outra exista polêmica sobre minha sexualidade. O que sinceramente já não me incomoda mais, pois, liguei o foda-se.
Aos poucos vou contando para as pessoas que eu acredito mereçam saber, que fazem diferença em minha vida e que me dão abertura e me cativam a dizer quem eu sou.
Foi assim para duas de minhas melhores amigas e recentemente um de meus sócios e o companheiro dele, sim ele é gay (ele já desconfiava lógico, rs). A hora de oficializar para a família está chegando, vai haver sangue, choro e comoção, mas, é o que tem para hoje.
Engraçado quando entro no blog e releio alguns textos e revejo situações da minha vida que pensei que sucumbiria. Nada me fez tão forte e tão maduro quanto a queda! Cada experiência, em cada idade, tem um sabor especial de conquista ou de derrota e obviamente a reação do pensamento e a tomada de decisões funciona de maneiras diferentes, por conseguinte, o que me afetava de forma percuciente hoje já não me atormenta mais.
Eu não consigo me livrar do sentimento, sensação ou sentido, ainda não consigo definir do que se trata, apenas acredito que tudo que acontece no mundo, acontece em ciclos, nada de novo, nada inesperado apenas mais do mesmo em épocas diferentes. Sinceramente creio que tudo que poderia ser inventado, sentido e vivido pelo homem já foi feito, já veio de encontro com a humanidade, ou seja, as angustias são as mesmas.
Olhando minha vida como um observador de fora, se é que isto é possível, hoje consigo entender o porquê de as pessoas mais experientes que liam meu blog há tempos atrás dizerem como verdade incontestável que tudo o que eu passei ou passaria era comum, recorrente e cíclico.
Primeiro eu passaria pela descoberta, depois pelo medo de ser o que sou em seguida pela aceitação e busca de pares terminando em um processo de consolidação da minha personalidade.
Os sabores, as cores, sons e sensações quando olho para trás parecem tão óbvias e ordinárias que chegam a ser medíocres. Mas o que venho dizer é que meu sócio e seu companheiro que também são meus amigos me disseram para continuar e não é que me deu vontade, então, estamos de volta.
Acredito que eu já tenha falado dele por aqui, ou, de algum diálogo que tivemos.
Eu o conheci de forma despretensiosa, trabalhando em um dia de chuva. Eu brincava com os funcionários do órgão público que freqüento diariamente, lugar que eu mesmo já trabalhei antes de me formar e por isso a intimidade.
Ele estava lá intrometido como somente ele sabe ser, fazendo contendas em minha conversa com os funcionários. Logo mais saberia que ele tinha a intenção de me conhecer e que já estava me observando havia dias.
Após vários encontros casuais ele me chamou para tomar uma cerveja, convite que sempre recebo de meus amigos então aceitei prontamente. Sabe aquele convite: “cara vamos beber uma depois?”, pois foi desta forma gentil e sem comprometimento que ele acabava de entrar em minha vida.
Ele pediu meu telefone e disse que teria uma festa no final de semana e que ia ter um monte de gente que eu conhecia inclusive o pessoal do órgão público. Juro que não pensei em segundas intenções, até mesmo porque ele parecia fora das minhas perspectivas. Só que ele ligou no mesmo final de semana me chamando para beber antes de ir pra festa e eu fui.
Conversamos por horas e ele disse que já havia me visto e sabia o escritório em que eu trabalhava e que era bem perto do dele. Reclamou que eu não retribuía aos seus cumprimentos. Eu pedi desculpas disse e que nunca havia reparado, pois, a minha cabeça pensa um monte de coisa ao mesmo tempo e eu estava sempre distraído... “eu penso em seus beijos, versos e sexo”, como diria Paula Toller.
Quando perguntei pela hora e a festa que iríamos ele disse que o papo estava bom se eu não me importava de continuar. Foi nesta hora que coisa mudou de figura e me alertei para o que poderia acontecer e cedi. Rimos, bebemos e falamos de nossas vidas. Ele sempre muito afinado para piadas e um sarcasmo que o deixava bem mais sexy.
Marcamos outra saída no dia seguinte. Mesmo bar e no meio da conversa falávamos de um filme ridículo que estava no cinema e do nada ele pede a conta. Perguntei o motivo e ele disse: quero ir ao cinema. Eu: agora? Você ta bêbado? Ele: estou, mas, não vem ao caso. E fomos.
No cinema não me deixou comprar duas pipocas sob o pretexto de que havíamos bebido e comido e iríamos desperdiçar. Eu não acreditava que estava lá, com ele, 21:30 para ver um filme ridículo, bêbado. Ele ria. Eu pedia pipoca ele negava, foi quando levantei para comprar e ele sério me disse: agente come junto. Eu: mas você não me deixa. Ele: mas você não sabe pedir? Eu: mais? Ele: do jeito certo. Eu: por favor. Ele: então abre a boca, não quero sua mão suja no meu saco de pipoca. Eu: você está de zombaria? E ele permaneceu sério, calado e me olhando fixamente levou pipoca até minha boca. Ali mesmo na última sessão ganhei o primeiro beijo.
No cinema comecei a me apaixonar por aquele menino espirituoso, romântico, aventureiro e engraçado.Com muito cuidado deixei rolar outros beijos, nos conhecemos mais em outros encontros e nos entregamos.
Eu que não queria sofrer com medo de me relacionar não admiti até poucos meses atrás um relacionamento. Ele foi embora para estudar, fazer MBA e eu fiquei aqui, encontrando ele esporadicamente, mas sem compromisso (eu não queria). Deixei-o ir. Ele voltou me propôs compromisso, choramos, fizemos amor e pedimos desculpas e eu aceitei.
Planejei meu futuro no Sul de forma que caberia ele. Ele não aceitou, ficou histérico e foi embora. Sem ressentimentos, mas, foi embora. Isto fica pra outros textos. Por hora é isto. Ele foi embora.
Depois de entender o que desde o começo era nítido, meu coração mais uma vez tenta se recuperar...
No nosso primeiro encontro, entre as primeiras palavras proferidas daqueles lindos lábios rodeados por um cavanhaque que eu ainda sinto a roçar no meu pescoço, ouvi com clareza o que meu coração por motivo desconhecido não quis guardar: não quero relacionamento sério, vivo e quero só o acaso.
Envolvido pelo cheiro, a libido e um charme inexplicável me deixei levar, e fui até onde ele me levou e inexplicavelmente ainda estou em meio a um edredom já velhinho, azul de flores miúdas vermelhas, rosas e azul bebê, acariciando o cabelo molhado preto que levemente se apoiava em meu peito.
Sinto os braços fortes hora me pressionando contra a parede, hora me carregando da cozinha para o quarto. O suor que deliciosamente me molhava e deixava o sexo ainda mais gostoso. Sem pudores posso descrever com riqueza de detalhes o momento mágico feito sem “frescuras”. Apenas meu amado milimetricamente desenhado por anjos em êxtase.
O que mais me dói não é saber que tal sensação nunca mais será sentida por mim, afinal, somos seres que vivem a todo o momento sentido e experimentando sensações. Talvez a palavra, o nome que expresse bem o que sinto agora é “vontade”. Vontade dele, de nós do nosso sexo, do cheiro, dos edredons...
Hoje ainda mantemos um contato: dolorido de minha parte e simplesmente natural de mera formalidade da parte dele. Às vezes o telefone toca, chega uma mensagem, que me trás a mesma vontade da primeira vez. Lembranças... Fazer o que né? COISAS DO CORAÇÃO.
* Texto do Vinícius, meu primo amado. Feliz aniversário primo!
Não é de hoje que eu venho dizendo que todas as experiências que eu tenho são cíclicas. A sensação é que tudo o que acontece em minha vida e, no mundo ao meu redor, se repete, exaustivamente, porém, de forma mais intensa e com personagens diferentes.
Quando entendi que sou gay passei por todas as fases que acredito que um garoto gay deva ter passado.
Houve a rejeição em acreditar que eu era diferente juntamente com o medo do desconhecido, sem falar no medo de não ser mais o modelo que os outros quisessem que eu fosse. Perdi noites de sono preocupado com a simples idéia de como seria a vozaria em turba na minha família ao saber que o bom garoto arruinou com as suas expectativas de homem, filho, cristão e marido.
Ao criar o blog, há cinco anos, eu buscava alento em pessoas que passavam pelo mesmo dilema, pela mesmíssima angustia (daí o nome do blog). Eu li e ouvi de muitos leitores seus depoimentos e acredito que tenha cumprido com o propósito do blog de conhecer pessoas e me conhecer melhor.
Entretanto, existem pessoas muito especiais e uma delas me disse que apesar de estarmos em “tempos” diferentes ele queria me dizer que tudo iria passar e eu ia ser confiante, entender que não poderia mudar e tentaria viver um dia de cada vez.
O leitor foi generoso em detalhes. Ele disse que eu iria me apaixonar e acreditar em um amor eterno e depois sofrer quando este amor acabasse, disse ainda ser bem provável que eu teria uma fase “devassa” em minha vida, totalmente desacreditada no amor e confiante no sexo e que junto com isto tudo ligaria o “foda-se” para quem não me aceitasse.
Eu fiz apenas uma pergunta ao leitor: - em que fase você está agora? E ele respondeu: - naquela em que você aprende, entende e aceita que no final das contas seus problemas são somente seus e que a missão de resolvê-los ou não é somente sua. Não pense que é ruim. Chamo de maturidade.